"A PASSAGEM DO ANJO" - (John Sack)
O lobisomem, ou tecnicamente licantropo (palavra derivada do nome do rei mítico Licaão), é um ser lendário,com origem em tradições europeias, segundo as quais, um homem pode se transformar em lobo. Tais lendas são muito antigas e encontram a sua raiz na mitologia grega.Pelo mundo todo, lendas e superstições mostram o lobisomem como um personagem maligno. De acordo com antigas crenças, é um homem que possui a maldição ou poder de transformar-se em lobo durante a noite, em particular sob a influencia da lua.
Só de imaginar um livro baseado nessa lenda, já dá vontade de ler.
Quando vi o lançamento do livro e li a sinopse, fiquei muito curiosa, um romance sobrenatural e ambientado na idade média...no mínimo seria interessante.
Pois bem... interessante é, mas o livro não me cativou.
A história , os personagens e os conflitos pessoais são bem atrativos, porém a forma como é apresentada não faz o meu tipo de leitura.
Achei cansativo e um livro que tinha tudo para ser maravilhoso, se tornou uma espécie de análise dos conflitos psicológicos e sentimentais de um frei lobisomem.
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Um pouquinho do livro:Na Palestina, em 1299, frei Angelo Lorenzini está confinado em uma masmorra suja e fétida, fora condenado e excomungado. O papa BonifácioVIII,um homem vingativo e seu inimigo desde criança, está disposto a vê-lo apodrecer neste buraco imundo.
Em noites de lua cheia, frei Lorenzini se transforma em lobo. Será isso uma maldição ou um presente divino?
Tomado pela solidão e o medo de morrer sem o perdão de seus pecados, recorda-se de sua vida e tenta entender sua condição. Busca em Deus e em seu coração as respostas para suas aflições.
Filho de um pai autoritário e violento e de uma mãe submissa, convive com os olhares e comentários sobre sua anatomia. Entre suas escapulas há uma corcunda e às vezes ele acha que seria mais natural andar de quatro, seus caninos são semelhantes à presas e carrega em sua mão direita a marca de sua linhagem.
Após a morte de seu pai, aos 13 anos se torna Conde Lorenzini e senhor de sua casa, é apenas um menino, mas precisa se tornar homem.
Em meio a travessuras e descobertas da adolescência, descobre o desejo por outras mulheres através de sua mãe e a vê entrar em decadência ao se tornar amante do padre da cidade.
É enviado para a propriedade de campo da família, a torre Del Lupo e lá conhece o sexo e o amor da jovém camponesa Maria. Sua imaturidade e sentimentos egoistas a afastam, ela carrega seu filho, mas não é digna de um nobre.
Retorna para a casa de sua mãe e descobre que tem um meio irmão, Silvestre, este será um companheiro e amigo fiel para toda vida.
Enquanto estudava para ser um homem das leis, conhece Dona Leta, esposa jovem de um homem velho. Ela, fiel e dedicada ao marido, trata Angelo com muito carinho, um carinho maternal. Mas o que Angelo sente por ela é uma paixão que o consome, em cada pensamento o nome Leta o atormenta.
Em um acesso de desejo e loucura, Angelo provoca uma tragédia e descobre um segredo terrível. Seu calvário está por começar.
Desesperado e enlouquecido, se transforma em um lobo por completo e na companhia de seu antepassado passa 7 anos recluso na floresta.
Após este período, peregrina por igrejas e mosteiros em busca de razão e respostas, se torna frei e acaba preso ao se rebelar contra o Papa.
Em seu buraco, avalia sua existência e encontra conforto na bondade de seu carcereiro, na lua que o consola e nas lembranças de Maria e o filho que nunca conheceu. Percebe que seu lado humano e animal não estão mais em conflito: é bom e mau, caridoso e egoísta, ama e odeia e isso o faz compreender sua natureza divina.
Silvestre, seu fiel irmão, orquestra uma fuga e após 50 anos Angelo reencontra o amor, a paz e as respostas que sempre procurou. Elas estavam ali, em seu peito o tempo todo.
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Não posso dizer que o livro seja ruim, há momentos interessantes e emocionantes.
A saga do frei Angelo é ótima, seus conflitos e inseguranças com relação à maldição de sua linhagem, nos levam a um mundo diferente.
O inicio do livro é muito bom, com uma narrativa cativante, a trama flui com naturalidade, mas sem exageros. Porém do meio em diante ... desanda. O que era interessante, se tornou enfadonho e todo o colorido da história foi ofuscado com uma narrativa arrastada.
O livro não engrena, não há um ápice na história de Angelo. Quando você pensa...agora vai, o lobisomem finalmente acordou! Então... ele simplesmente se transforma em lobo e fica 7 anos nesta condição, isolado na floresta e o livro se volta para os personagens secundários com acontecimentos mornos.
A história transita em tempos diferentes, intercalando lembranças do passado e momentos no presente... até aí tudo bem.
O problema é que muitas vezes essas mudanças no tempo são feitas repentinamente e sem qualquer sinalização, o leitor tem que se localizar através dos personagens e contexto da historia.
Não vejo sentido em interromper uma linha de raciocínio, no meio de uma cena interessante, simplesmente para pular para outro período histórico, com personagens que não tem nada a ver com o que você estava lendo e quebrar totalmente o ritmo da leitura.
Mas, o que me deixou descontente mesmo, foi a introdução de inúmeros personagens irrelevantes para a trama, bombardeando o leitor com descrições em excesso e debates intermináveis sobre a politica e intrigas do Vaticano.Veja bem, eu adoro livros bem descritos, porém as deste livro realmente me deixaram impaciente.
Em resumo, a passagem do anjo não é um livro de passatempo ou de aventura sobrenatural (como eu imaginei) é uma busca do "Eu" interior, uma luta da natureza humana com a animal, além de tentar equilibrar os desejos da carne com os do espírito.
É um livro de reflexão, para ser contemplado.
Se você gosta de livros que lidam com os conflitos da mente e da alma, leia "A Passagem Do Anjo".
Eu realmente gostaria de ouvir outras opiniões.




























