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Digno de Nota

quarta-feira, 27 de março de 2013

"GÊNESIS" (Bernard Beckett)

Eu sou a sensação do calor do sol sobre minha pele; sou a sensação da onda fria que se quebra de encontro ao meu corpo. Sou os lugares que nunca vi, mas que posso imaginar quando meus olhos estão fechados…
Você zomba da pouca duração da minha vida, mas é o próprio medo de morrer que instila vida dentro de mim. Eu sou o pensador que pensa sobre o pensamento. Eu sou a curiosidade, sou a razão, sou o amor e o ódio. Sou a indiferença... Sim, o mundo pode ir apertando botões à medida que passa através de seus circuitos. Mas o mundo não passa através de mim. Eu sou o meio pelo qual o universo teve consciência de si próprio. Sou aquela coisa que nenhuma máquina será capaz de fabricar. Eu sou feito disso: de significado.
p. 114-115
~~~*~~~
Em um mundo pós-apocalíptico nasce uma nova sociedade… as ilhas República. Para proteger as pessoas da peste, foi erguida a Grande Cerca Marítima, isolando a República do resto do mundo. Seus cidadãos estavam a salvo, mas não eram livres.
Ninguém podia se aproximar: aeronaves eram abatidas, navios afundados e qualquer refugiado que conseguisse se aproximar da cerca era executado. Até que um soldado deixa a indiferença de lado e decide romper as regras. Em vez de matar, ele resgata uma garota das águas. Seu nome era Adam Forde, e esse ato de compaixão mudou para sempre o curso da história.

Anaximandra, ou simplesmente Anax, é uma jovem apaixonada pela história de Adam – agora morto há muito tempo e visto como herói – e decide usá-lo como tema de seus estudos. Ela deseja ingressar para a Academia – organização que governa e controla a nova sociedade – e está pronta para realizar seu teste de admissão.

Porém, nem tudo sobre a vida de Adam consta nos registros históricos. Antes que o teste termine, virão à tona obscuros segredos da Academia e Anax descobrirá a verdade aterradora que ronda seu mundo.
~~~*~~~
Totalitarismo e um sistema social controlador, onde as regras estabelecidas para o bem comum mostram-se opressivas. Estas, são as principais características de uma distopia. O gênero ganhou destaque entre o público jovem após o sucesso de Jogos Vorazes e vários títulos estão disponíveis aos leitores. Confira algumas resenhas AQUI.

Entretanto, Gênesis de Bernard Beckett, foge um pouco do comum. Apesar de apresentar uma protagonista jovem, Gêneses possui uma trama mais densa, pois seu foco está no debate de conceitos sociais e da consciência humana, e não na ação direta.

A construção narrativa de Beckett também é diferente. Aqui a história é narrava durante um teste de admissão, onde ao responder as perguntas dos examinadores, Anax nos revela a estrutura de seu mundo distópico. Enquanto os conhecimentos de Anax são avaliados, o leitor também é apresentado a Adam. 

No decorrer da história algumas ideias são levantadas e discutidas. O que realmente significa ser humano? O que nos torna seres tão especiais… únicos? Ou esse pensamento somente revela a arrogância de uma espécie que se considera a razão do mundo?
Lendo essas questões, o leitor pode pensar que o livro flerta com a autoajuda. Mas não é nada disso. Gênesis possui uma história mais argumentativa, e talvez, filosófica, mas o autor aborda tais assuntos de forma tão envolvente que as reflexões se tornam muito intrigantes. Sem falar no debate inteligente de ideias. E bota inteligente nisso!
Podem acreditar, o livro não é maçante. Pelo contrário, foi uma leitura deliciosa. Me arrependo de ter demorado tanto tempo para lê-lo.

Agora, o final de Gênesis é surpreendente, daqueles que deixam o leitor “bege”. Por isso, tomem cuidado com spoilers, pois qualquer insinuação dissiparia toda emoção do desfecho. Para os fãs de distopias e que não se importam com histórias que provocam questionamentos, Gênesis é leitura obrigatória.

Este é o terceiro livro resenhado para o Desafio Realmente Desafiante 2013, proposto pelo blog Silencio Que Eu To Lendo. Gênesis se encaixa no item 6: “Peça para alguém olhar na sua estante e escolher um livro a muito esquecido.”

Beckett, Bernard. Gênesis. Intrínseca, 2009. 175 p. 

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