"O ARQUEIRO" (Bernard Cornwell)

A Guerra dos Cem Anos aconteceu entre os anos de 1337 e 1453 e envolveu os reinos da França e Inglaterra. Foi a principal e mais sangrenta guerra europeia do período medieval.
“O Arqueiro” é o primeiro livro da trilogia A Busca do Graal e foi a minha estreia com Cornwell. E posso afirmar, com toda certeza, que me tornei uma fã fiel e ainda lerei muitos outros livros do autor.
Não são poucos os autores que seduziram os leitores com armaduras e espadas, além da busca incansável pelo Santo Graal. Um assunto tão explorado, pode parecer repetitivo, além de nos fazer pensar que não há mais o que falar sobre o tema. Ledo engano. Ler sobre a busca incansavel do Graal...é diversão garantida!E quando me deparo com uma trama um pouco diferente ou que consiga inovar tais buscas, me perco dentro da história.
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Thomas vive em uma pequena aldeia inglesa, chamada Hookton. Filho de um padre e de uma governanta, foi muito bem educado e preparado para ser também um sacerdote, mas o sua verdadeira vocação era ser soldado. Sua paixão é o arco longo, que aprendeu a fazer e manusear com o avô e assim, se tornou um exímio arqueiro. Sua vida muda drasticamente quando seu povoado é atacado por franceses. O que aparentemente era apenas um saque comum da época, se mostrou uma demanda planejada por um misterioso homem chamado de Arlequim. Este queria a qualquer custo recuperar a lança de São Jorge, uma relíquia religiosa que estava em poder do Pai de Thomas.
Thomas com apenas 18 anos, vê seus pais serem assassinados e jura diante de seu pai agonizante, recuperar a lança e vingar sua morte. Deixa sua aldeia e se une a um exército mercenário de arqueiros a serviço da Inglaterra. Durante sua jornada como arqueiro, se mostra um soldado inteligente e corajoso, além de um grande estrategista. Porém tenta se esquivar de sua promessa e esquecê-la, sua dor já foi aplacada e perdeu o desejo de vingança... só quer lutar. Sem ideias surpersticiosas e preconceituosas, é amigo de assassinos, estupradores e ladrões...companheiros de luta. Mas, não tolera a mentira e a crueldade de homens inescrupulosos e adquire um inimigo implacável entre os próprios ingleses.
Se apaixona por uma nobre, a Condessa Jeanete, e pensa que é correspondido. Mas em seu devido tempo, ela mostra sua verdadeira face e abandona Thomas por interesses mesquinhos. Magoado pela traição de Jeanete, decide voltar à luta e esquecê-la. Inesperadamente, vê a chance de recuperar a lança e cumprir sua promessa.
Ao conquistar uma cidade francesa, sai em busca do homem que invadiu sua aldeia e acaba por salvar sua filha bastarda, Eleanor, de um estupro. Descobre que tal homem, Sir Guillaume, não é o Arlequim e que a lança não está em seu poder. Sir Guilaume também foi vitima do cruel Arlequim, mas ele sabe quem é este homem.
Arlequim significa cavaleiro do Demônio e este é o apelido de Guy Vexille.Os Vexille foram os governantes de Astarac, um condado nas fronteiras de Languedoc e Agenais. Os condes de Astarac eram cátaros e rejeitavam a igreja. A insígnia da família Vexille era um Yale segurando um cálice e há rumores de que os hereges cátaros possuíram o Graal.
Thomas conhece essa insígnia, seu pai a possuía...mas, como? Então... o destino o coloca frente a frente com o passado de sua família e o segredo do Graal. Seu juramento é colocado à prova quando descobre que descende dos Vexille e de integrantes da lendária seita catara. Agora, sua busca está além de sua imaginação, além da lança de São Jorge...deve recuperar o Graal. Sir Guillaume (francês) e Thomas (inglês) se tornam aliados no desejo de vingança e na busca das relíquias sagradas.Thomas e Eleanor se apaixonam e partem juntos para a frente de batalha...irão se casar. Mas antes, enfrentarão a dor e as privações da guerra. E no calor da batalha, quando Thomas menos espera, sua promessa começa a ser cumprida.
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Com uma narrativa bem descrita e detalhada, porém com uma linguagem objetiva e acessível (sem ser simplista), o livro é de fácil leitura e muito prazeroso. Thomas é diferente, não é descrito como um homem bonito, ele possui marcas da guerra e nariz torto devido à fraturas. Me pareceu um homem forte e exótico, diferente dos demais, possui os cabelos negros e bem longos, que são amarrados com cordas de arco...é delicioso imagina-lo! Às vezes é indeciso em relação as mulheres, ama e as esquece com facilidade. Mas sempre com grande fervor. É cristão, mas não extremista e convive de forma pacifica com "quase" todos. Defende aqueles que ama e luta com prazer, mesmo que o objetivo da batalha não corresponda ao seu ideal. Me apaixonei por ele! 

As descrições das batalhas são de encher os olhos. É possível vivenciar a apreensão dos arqueiros, sentir a tenção da corda do arco e ouvir o zunir da flecha em pleno vôo. A loucura que atinge os soldados e a crueldade vista como "natural" durante a guerra, também é relatada de forma crua. Dá vontade de ler sem parar um minuto!

Sem querer tecer muitos elogios...o que é quase impossível para uma apaixonada por históricos, a trama é muito bem fundamentada, o que a torna mais verossímil. Os personagens são bem construídos, sem excessos de heroísmo, com interesses e ambições de pessoas comuns, capazes de atos nobres e também desprezíveis.O final do livro resolve muitas questões, mas há um gancho para a continuação, que deixa o leitor curioso e impaciente para acompanhar a aventura e a busca de Thomas de Hookton.
É um livro para ser devorado!

Cornwell, Bernard. O Arqueiro. Record, 2003. 442 p. (série A Busca do Graal, Vol. 1)

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