"BAUDOLINO" (Umberto Eco)
"Um Paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é o oposto do que alguém pensa ser a verdade".
Se há uma forma de descrever este livro, a definição de "paradoxo" é perfeita. Até que ponto somos capazes de acreditar no impossível e de duvidar do óbvio?
~~~ *~~~
Constantinopla está em chamas! Nicetas Corniates, um historiador bizantino, vê que sua vida corre perigo. Está nas mãos de cruéis saqueadores. Mas, inesperadamente um estranho o salva da morte, seu nome é Baudolino.
Em meio ao conflito e destruição, Nicetas ouve a história de seu salvador. Como forma de agradecimento, registrará as memórias de Baudolino. Se surpreende com as peripécias daquele mentiroso "descarado".
E assim, as aventuras de Baudolino, começam a ser contadas:
Filho de camponeses, Baudolino vive em um povoado na região de Piemontes. É inteligente e adora inventar histórias. Possui uma imaginação fértil...até demais.
Ainda Menino, conhece Frederico I, o Barba Ruiva. Sem saber a importância daquele homem, inventa uma visão, profetizando sua vitória na próxima batalha. Após essa pequena mentira, cai nas graças do imperador, tornado-se seu filho adotivo.
Baudolino é levado à corte de Barba Ruiva, se torna um homem letrado e percebe que possui um dom. Tem a habilidade de mentir, tudo o que imagina e inventa é dado como verdade.
Com o passar dos anos, seu amor e devoção por aquele pai se torna profundo e sincero. Mas parece que o destino o quer infeliz. Não consegue evitar e se apaixona pela esposa de Frederico.
Tentando fugir desse amor impossível, decide continuar sua busca por conhecimento e vai para Paris. Lá, conhece novos amigos e cúmplices. Companheiros de aventura.
Suas mentiras levam o imperador à vitórias, consegue canonizar Carlos Magno e legitimar três corpos como sendo dos Reis Magos. Mas isso é pouco perto do que Baudolino é capaz.
No passado, Baudolino fez uma promessa ao seu antigo mestre e professor, viajar ao extremo oriente e encontrar o misterioso reino cristão de Padre Johanes. O Paraíso terrestre.
No desejo de realizar tal promessa, decide levar seu pai adotivo nessa empreitada. Mas, para convencê-lo terá que usar de toda sua criatividade.
Só a relíquia mais preciosa da cristandade possui tal poder de persuasão.
Sob o pretexto da existência do Graal, rumam para a Terra Santa na terceira cruzada. Durante a viagem enfrentam a morte, a traição e a desconfiança. Conhecem a maldade e a cobiça entre os seus amigos. As dificuldades fortalecem seus espíritos, mas enfraquecem os laços de amizade.
Vivem aventuras inimagináveis, encontram lugares perdidos indescritíveis, seres mitológicos e exóticos. Conhecem novas raças inteligente e animais nunca vistos. Baudolino se apaixona novamente e descobre-se desprovido de preconceitos.
Nicetas a todo momento se pergunta: Será tudo verdade ou fruto de sua imaginação? Mas, enquanto conta sua historia, Baudolino é surpreendido. Ao conversar com Nicetas percebe fatos, antes incompreendidos. Vislumbra sua própria vida com outros olhos e descobre que cometeu um crime terrível. Não é inocente e deseja ser punido.
Discorre sobre a essência de Deus e a natureza humana. Qual a relação entre criador e criatura, como existir em conjunto com a natureza?
Explora as várias crenças sobre o formato da terra, a existência do Jardim do Eden e a hipótese de que após o dilúvio surgiram novas espécies de vida. A fé pode tornar as coisas verdadeiras!
Partindo desta premissa Umberto Eco criou um mundo cheio de fantasia e mistérios. Com seres mitológicos e impossíveis, além de situações inacreditáveis. Mas o que torna a história interessante é que, pelo fato do protagonista ser um mentiroso habilidoso, o leitor nunca sabe se o que está lendo é invenção, realidade ou simplesmente a imaginação de uma mente fértil ou de certa forma perturbada. Durante toda a leitura, eu esperei que ao final do livro tudo se revelasse uma grande mentira, uma ilusão.
O livro é cheio de passagens irônicas e engraçadas (algumas hilárias), porém é através do humor que Umberto Eco transmite suas ideias intrigantes.
Infelizmente o inicio do livro é lento, achei um pouco enfadonho, exceto o 1ºcapitulo, que é muito divertido. Demorou a engrenar e quando o faz é de forma sútil e comedida.
Demorei para terminá-lo, não porque seja ruim, mas porque o livro é denso. Alguns diálogos são longos e complexos, exigem reflexão, tornando a leitura um pouco cansativa. Então... tive que dar uma parada, ler outro livro mais leve, e só depois continuar. Em contrapartida, a linguagem é despojada, inclusive utilizando gírias. Afinal, os personagens são pessoas do povo, soldados e camponeses.
É uma leitura imperdível? Acredito que sim, não por ser excepcional, mas pela oportunidade de sairmos da rotina e lermos algo diferente. Baudolino deve ser lido sem pressa, é para ser apreciado e não devorado. Aliás, o livro não permite que a leitura seja voraz.
Gostei do livro, mas por ser uma leitura mais difícil e complexa, levarei algum tempo para relê-lo. Ah sim! Eu quero ler novamente, porque tenho a impressão de que passou muita coisa despercebida, não "entendida".
E tenho certeza que minha compreensão da obra mudará.
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Constantinopla está em chamas! Nicetas Corniates, um historiador bizantino, vê que sua vida corre perigo. Está nas mãos de cruéis saqueadores. Mas, inesperadamente um estranho o salva da morte, seu nome é Baudolino.
Em meio ao conflito e destruição, Nicetas ouve a história de seu salvador. Como forma de agradecimento, registrará as memórias de Baudolino. Se surpreende com as peripécias daquele mentiroso "descarado".
E assim, as aventuras de Baudolino, começam a ser contadas:
Filho de camponeses, Baudolino vive em um povoado na região de Piemontes. É inteligente e adora inventar histórias. Possui uma imaginação fértil...até demais.
Ainda Menino, conhece Frederico I, o Barba Ruiva. Sem saber a importância daquele homem, inventa uma visão, profetizando sua vitória na próxima batalha. Após essa pequena mentira, cai nas graças do imperador, tornado-se seu filho adotivo.
Baudolino é levado à corte de Barba Ruiva, se torna um homem letrado e percebe que possui um dom. Tem a habilidade de mentir, tudo o que imagina e inventa é dado como verdade.
Com o passar dos anos, seu amor e devoção por aquele pai se torna profundo e sincero. Mas parece que o destino o quer infeliz. Não consegue evitar e se apaixona pela esposa de Frederico.
Tentando fugir desse amor impossível, decide continuar sua busca por conhecimento e vai para Paris. Lá, conhece novos amigos e cúmplices. Companheiros de aventura.
Suas mentiras levam o imperador à vitórias, consegue canonizar Carlos Magno e legitimar três corpos como sendo dos Reis Magos. Mas isso é pouco perto do que Baudolino é capaz.
No passado, Baudolino fez uma promessa ao seu antigo mestre e professor, viajar ao extremo oriente e encontrar o misterioso reino cristão de Padre Johanes. O Paraíso terrestre.
No desejo de realizar tal promessa, decide levar seu pai adotivo nessa empreitada. Mas, para convencê-lo terá que usar de toda sua criatividade.
Só a relíquia mais preciosa da cristandade possui tal poder de persuasão.
Sob o pretexto da existência do Graal, rumam para a Terra Santa na terceira cruzada. Durante a viagem enfrentam a morte, a traição e a desconfiança. Conhecem a maldade e a cobiça entre os seus amigos. As dificuldades fortalecem seus espíritos, mas enfraquecem os laços de amizade.
Vivem aventuras inimagináveis, encontram lugares perdidos indescritíveis, seres mitológicos e exóticos. Conhecem novas raças inteligente e animais nunca vistos. Baudolino se apaixona novamente e descobre-se desprovido de preconceitos.
Nicetas a todo momento se pergunta: Será tudo verdade ou fruto de sua imaginação? Mas, enquanto conta sua historia, Baudolino é surpreendido. Ao conversar com Nicetas percebe fatos, antes incompreendidos. Vislumbra sua própria vida com outros olhos e descobre que cometeu um crime terrível. Não é inocente e deseja ser punido.
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A trama brinca com o certo e o errado, com a imaginação e o desconhecido, com a fé e a tolerância.Fico feliz por não ter lido Baudolino antes, mais jovem, porque provavelmente não entenderia e não gostaria da obra. Não é um livro nos moldes das aventuras tradicionais, aclamados pelos leitores e com aventuras épicas indescritíveis.
Baudolino, não possui uma narrativa ágil e instigante, é escrito de forma mais erudita, exigindo a atenção constante do leitor. Não ansiamos pelas próximas páginas com avidez, por não contermos a ansiedade frente à aventuras emocionantes; mas por querermos saber quais os próximos passos de um contador de histórias.
Qual será sua próxima invenção?
Baudolino, não possui uma narrativa ágil e instigante, é escrito de forma mais erudita, exigindo a atenção constante do leitor. Não ansiamos pelas próximas páginas com avidez, por não contermos a ansiedade frente à aventuras emocionantes; mas por querermos saber quais os próximos passos de um contador de histórias.
Qual será sua próxima invenção?
Discorre sobre a essência de Deus e a natureza humana. Qual a relação entre criador e criatura, como existir em conjunto com a natureza?
Explora as várias crenças sobre o formato da terra, a existência do Jardim do Eden e a hipótese de que após o dilúvio surgiram novas espécies de vida. A fé pode tornar as coisas verdadeiras!
Partindo desta premissa Umberto Eco criou um mundo cheio de fantasia e mistérios. Com seres mitológicos e impossíveis, além de situações inacreditáveis. Mas o que torna a história interessante é que, pelo fato do protagonista ser um mentiroso habilidoso, o leitor nunca sabe se o que está lendo é invenção, realidade ou simplesmente a imaginação de uma mente fértil ou de certa forma perturbada. Durante toda a leitura, eu esperei que ao final do livro tudo se revelasse uma grande mentira, uma ilusão.
O livro é cheio de passagens irônicas e engraçadas (algumas hilárias), porém é através do humor que Umberto Eco transmite suas ideias intrigantes.
Infelizmente o inicio do livro é lento, achei um pouco enfadonho, exceto o 1ºcapitulo, que é muito divertido. Demorou a engrenar e quando o faz é de forma sútil e comedida.
Demorei para terminá-lo, não porque seja ruim, mas porque o livro é denso. Alguns diálogos são longos e complexos, exigem reflexão, tornando a leitura um pouco cansativa. Então... tive que dar uma parada, ler outro livro mais leve, e só depois continuar. Em contrapartida, a linguagem é despojada, inclusive utilizando gírias. Afinal, os personagens são pessoas do povo, soldados e camponeses.
É uma leitura imperdível? Acredito que sim, não por ser excepcional, mas pela oportunidade de sairmos da rotina e lermos algo diferente. Baudolino deve ser lido sem pressa, é para ser apreciado e não devorado. Aliás, o livro não permite que a leitura seja voraz.
Gostei do livro, mas por ser uma leitura mais difícil e complexa, levarei algum tempo para relê-lo. Ah sim! Eu quero ler novamente, porque tenho a impressão de que passou muita coisa despercebida, não "entendida".
E tenho certeza que minha compreensão da obra mudará.





























