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Digno de Nota

sexta-feira, 1 de junho de 2012

“O ÚLTIMO LOBISOMEM”(Glen Duncan)

O problema maior, a Existência, apenas aumenta cada vez mais… Um a um, esgotei os modos: hedonismo, asceticismo, espontaneidade, reflexão, tudo entre o miserável Sócrates e o porco feliz. Meu mecanismo se desgastou. Não possuo o necessário. Ainda tenho sentimentos, mas estou cansado de tê-los. O que é outro sentimento do qual estou cansado de ter. Eu apenas... Apenas não quero mais nenhuma vida.
pág.15
~~~*~~~
“Você é o último. Lamento”. Jake Marlowe sabia que esse dia chegaria, mas ao ouvir a notícia sua mente recusou-se a conceber a ideia. Seu amigo, Harley, estava mais chocado do que ele próprio, porém isso era compreensível. Após vagar pelo mundo por quase duzentos anos – dobrando-se aos caprichos da lua – Jake alcançou o conformismo.
Sim, lobisomens existem e Jake é o último deles. Ele é um monstro, fato. Mata e devora pessoas. Entretanto, na próxima lua cheia tudo isso estará acabado.
A WOCOP – World Organization for the Control of Occult Phenomena – vem caçando e assassinando os lobisomens impiedosamente ao longo dos anos. A organização contribuiu muito para a condenação dos lobisomens, mas a Caçada não era a única responsável pelo fim da espécie. Por alguma razão – o vírus que infecta os humanos e os transforma em lobos – está inativo. Nos últimos cento e cinquenta anos ninguém sobreviveu à mordida.  A natureza parecia conspirar a favor da extinção.

Jake está vivo a tempo demais, desgastado e completamente vazio. A cada lua cheia ele se transforma num monstro e é dominado pela fome de carne e sangue humanos. Mas os efeitos dessa maldição vão além da lunação. Na maior parte dos dias, Jake é assolado pela lascívia e extravasa toda tensão sexual com prostitutas. Nada de sedução ou paixão, quanto menos envolvimento emocional…melhor. Jake está cansado de suas lembranças malditas, das vozes dos mortos e de ser "o homem em função do lobo". Ele quer morrer…
Mas enquanto Jake aguarda – resoluto – sua última lua cheia, a Caçada se torna cada vez mais implacável e violenta. Ele não quer mais lutar, mas um encontro inesperado lhe revela que a morte não é sua única opção. Que talvez, viver ainda valha a pena…
~~~*~~~
O Último Lobisomem escrito pelo britânico Glen Duncan, é um romance sobrenatural que foge dos moldes que estão em voga no momento. Em O Último Lobisomem, o leitor encontrará um enredo que explora a mitologia da licantropia de forma clássica, porém longe de ser clichê.
Foi o reencontro com o lobisomem “à moda antiga” que me fez adorar o livro. A Infecção pela mordida, o homem que se transforma em lobo na lua cheia, que é vulnerável à prata, voraz por carne humana e com a libido à flor da pele. 
Jake não é um homem mau, mas é um lobisomem que perdeu a batalha contra a repulsa e os valores morais. Aceitou sua condição, pois sabe que matará novamente a cada nova lua cheia. Após quase duzentos anos de existência, não há mais conflitos éticos ou lamentações. Ele faz o que sua natureza exige – comer matar foder.

Não há meias palavras, o autor conduz a história através de uma narrativa lírica, entretanto sórdida. Sim, eu sei que parece contraditório, mas foi a única maneira que encontrei para tentar descrever a prosa de Duncan. O texto é repleto de diálogos introspectivos lindamente construídos, porém também possui citações que beiram o obsceno.
O Último Lobisomem é um livro para o público adulto. O autor utiliza uma escrita mais carnal e crua para ilustrar os instintos animalescos de Jake. Mas não é só o lado lascivo do lobisomem que é descrito, o autor também explora a fome incontrolável, a urgência de matar e se alimentar de carne humana. 

Por outro lado, há também o homem. Aquele que ao longo dos anos sobreviveu à constante batalha de sua humanidade contra a monstruosidade e, agora, enfrenta uma crise existencial. Jake está resignado com o provável fim de sua vida. Alias, ele espera por isso. Jake não sente culpa pelo que é, mas sente pesar pelo que faz. Não há como fugir dos instintos que o dominam, por isso ele decidiu negar tudo que lhe foi arrancado com a maldição: amor, família, fé… Deus.

O humor negro do personagem e sua falta de perspectiva conferem ao livro uma atmosfera obscura, chegando a ser deprimente em alguns momentos. Sinceramente, a abordagem da maldição é sensacional.

O Último Lobisomem é um romance que seduz o leitor desde a primeira página. É sombrio e deliciosamente indecoroso. Leia!

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