target="_blank">Some alt text
Promoções
target="_blank">Some alt text
Leitura Recomendada
target="_blank">Some alt text
Lançamentos e Eventos
target="_blank">some alt text
Escolha do Leitor
target="_blank">some alt text
Conheça o Autor
target="_blank">Some alt text
Livros Importados
target="_blank">Some alt text
Digno de Nota

sexta-feira, 20 de julho de 2012

“O GUARDIÃO” (Daniel Polansky)

(...) E enquanto eu os via ir embora, percebi que tinha gostado do olhar que vi nos olhos deles, tinha gostado de não ser a pessoa que olhava daquele jeito. E se aquilo significasse que eu precisava ter minhas mãos molhadas de pequenos pedaços do cérebro do garoto, que assim fosse, pois não era um preço alto demais a pagar…
Um sorriso selvagem veio de dentro de mim e eu vomitei para o mundo.
Pág. 74
~~~*~~~
Pelos labirintos de vielas imundas da Cidade Baixa – um lugar devastado e sem ordem – vaga um homem solitário conhecido como Guardião. Sobrevivente de guerra e ex-agente da coroa, agora ganha a vida como traficante de drogas e luta para manter seu negócio sórdido. Para afastar os fantasmas de seu passado e suportar sua rotina desprezível, o Guardião caminha entorpecido pelos vapores de Sopro de Fada. Mesmo viciado e desiludido, ele protege seu território.

Sua vida é virada do avesso ao encontrar uma menina estuprada e assassinada num beco sujo. Ele sabe que na Cidade Baixa não há justiça e decide investigar o crime por conta própria. Seguindo os rastros deixados no local do crime, o Guardião parte em busca do assassino. Ele não sabe quem ou o porquê das mortes, mas de uma coisa ele tem certeza… o criminoso é praticante da “arte” e está usando magia negra. Outras crianças desaparecem e os corpos começam a se amontoar…

Uma vez que foi o responsável por encontrar o primeiro corpo, o Guardião acaba se tornando o prinicipal suspeito.  Como se não bastasse ter que investigar os homicídios e provar sua inocência, seu passado decidiu voltar a atormentá-lo. 

Forçado a colaborar com os agentes da Casa Negra – seus antigos empregadores – o Guardião terá que agir com cautela, pois agora seus passos estão sendo vigiados. Além disso, seu caminho é atravessado por inimigos que nem sabia possuir. Mesmo sem poder confiar em ninguém, o Guardião precisa seguir com a investigação e encontrar quem está profanando as ruas com o sangue de inocentes.
~~~*~~~
“O Guardião”, primeiro volume da série Cidade das Sombras de Daniel Polansky, é um romance que foge do comum. O autor criou um universo próprio, onde a atmosfera lúgubre e torpe compõe um cenário gótico. Polansky mescla de forma bem peculiar elementos de romance policial e fantasia com um toque de sobrenatural.

Tramas que unem vários estilos literários são comuns, porém O Guardião os agrega de forma diferente. A fantasia fica a cargo do universo criado por Polansky e o sobrenatural é representado pela “arte”… a magia. Gostei muito da forma como a magia foi empregada no enredo.
Agora, o segmento policial não é merecedor de grandes elogios. O autor utilizou a receita – muito batida por sinal – em que as pistas levam o investigador a acreditar numa teoria enganosa e no último momento o personagem tem uma epifania e mata a charada. O resultado da investigação é previsível e, ao fechar o livro, fiquei com sensação de que o enredo policial teve uma construção simplória.

A narrativa de Polansky é densa, adulta – marcada por expressões vulgares que contribuem para formar o perfil dos personagens e do ambiente. Mas a revisão do livro deixou a desejar, pois o texto apresenta diversos erros. Não chegaram a prejudicar a leitura, mas é algo que me incomoda. 

O protagonista da história, o Guardião, é um tipo marcante. Sabemos que ele é um sobrevivente, um viciado que vive do tráfico pelas ruas sujas da Cidade Baixa. Um homem imperfeito, descontente e sem atrativos, que me pareceu extremamente humano. O autor não tenta justificar a falta de integridade do Guardião, pois suas ações são conscientes e o narrador demonstra estar ciente de suas escolhas. Mas não é só lado soturno do Guardião que Polansky traz à tona, vemos também o sujeito sarcástico, de respostas atravessadas e que sempre tem uma “tirada” irônica na ponta da língua. Não vou me esquecer dele tão cedo.
O Guardião é fantasia para adultos, que nos apresenta um mundo sórdido, com becos sujos, prostíbulos, traficantes e usuários de drogas, policiais corruptos e praticantes de magia negra. Um romance que seduz com seu ar sombrio e transgressor.

Polansky, Daniel. O Guardião. Geração Editorial, 2012. 445 p. ( Cidade das Sombras, Vol. 1)

Postagens populares

seguidores

LENDO NAS ENTRELINHAS Copyright © - Todos os Direitos Reservados

desenvolvimento EMPORIUM DIGITAL