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Digno de Nota

sexta-feira, 23 de maio de 2014

“A FILHA DO SANGUE” (Anne Bishop)


(…) Somos o que somos. Nem mais, nem menos. O bem e o mal existem em todos os povos. Atualmente, quem domina é o mal que existe entre nós.
~~~*~~~
Em um Reino matriarcal, onde quem governa são as mulheres e os homens são meros súditos, uma profecia anuncia a chegada de uma nova Rainha – uma Feiticeira que teria um poder inimaginável. Nesse mundo, a magia é uma arte cuja ligação com seu detentor é estabelecida por Jóias, e a força que exerce é graduada de acordo com sua cor. Quanto mais escura a Jóia, maior o seu poder.

Os Sangue eram os detentores da magia e estavam destinados a honrar as Trevas e protegerem os Reinos. Mas com o tempo, eles foram corrompidos, zombam das antigas tradições e não compreendem mais o que significa ser Sangue. Os machos se tornaram escravos de Rainhas cruéis e caprichosas. Muitos anseiam pelo acerto de contas, mas esse dia só será possível com a chegada da Feiticeira – do mito vivo.

Jaenelle é apenas uma menina, e por isso pode ser influência e corrompida. Quem a controlar terá domínio sobre as Trevas. Três machos do Sangue – Saetan, Daemon e Lucivar – sabem disso e estão dispostos a tudo para protegê-la…

Saetan SaDiablo é o Senhor Supremo do Inferno, Sacerdote Supremo da Ampulheta e Príncipe da Guerra de Dhemlan. Detentor de grande poder, usa a jóia negra. É um homem mais velho e experiente que enxerga Jaenelle como sua filha da “alma”. Saetan é pai de Daemon e Lucivar, sendo que foram separados do convívio quando estes ainda eram muito jovens. Sabe que pela pouca idade, Jaenelle precisa de orientação e aceita tornar-se seu mentor e guardião.

Daemon Sadi, assim como o pai, é um Príncipe dos Senhores da Guerra. Ainda muito jovem, tornou-se escravo sexual na corte de rainhas corrompidas. Famoso por sua beleza e sensualidade, é temido por seu temperamento violento e frieza. Por isso é também conhecido como o Sádico. Apesar de ser um Príncipe de Jóia negra e o macho mais forte na história dos Sangue, Daemon foi relegado a um simples escravo do prazer. Espera pela nova Rainha há setecentos anos. Recusa-se a desistir, pois no fundo de sua alma ele a conhece. Acredita ter nascido para ser seu amante.

Lucivar teve o mesmo destino que seu meio-irmão, Daemon. Foi escravizado quando adolescente e forçado a servir nas cortes. É um mestiço eyrieno e Príncipe de Jóia Cinza-Ébano. Também servirá a Feiticeira de corpo e alma.

Assim começa um jogo cruel, de política e intriga, magia e traição, onde as armas são o ódio e o amor. E cujo preço pode ser terrível e inimaginável…
~~~*~~~
A Filha do Sangue – primeiro volume da trilogia Joias Negras de Anne Bishop – é um livro complexo, mas que vale cada pagina lida. Exige um pouco de obstinação para deslindar todos os meandros da história, já que a trama é repleta de pormenores, mas é exatamente isso que a faz ser original e fantástica. É um livro que aborda temas polêmicos e tabus. Sexo, luxuria, sadismos, prostituição, assassinatos, incesto e pedofilia são alguns pontos explorados em A Filha do Sangue.

O livro é dotado de uma conotação sexual extremamente crua, chegando a ser perverso. O leitor é arrastado para um universo sombrio e atroz, onde quem reina é o mal. E esse mal é encarnado, principalmente, na figura feminina. São as mulheres que praticam as maiores crueldades. Claro que há machos do Sangue que praticam atos desumanos, mas eles foram corrompidos pelas mulheres. Anne Bishop compôs cenas pungentes de torturas, castigos, depravação e abuso infantil, com um realismo chocante. Mas o livro possui uma outra faceta que nos dá um pouco de folego, cuja esperança, a amizade e lealdade são os sentimentos que prevalecem.

Os personagens são sensacionais. Criaturas mágicas e poderosas, mas que são dotadas de emoções muito humanas. Apesar de existir uma luta do bem contra o mal, a autora não faz uso de uma abordagem maniqueísta, comum nos romances de fantasia, onde os personagens são taxados simplesmente como heróis ou vilões… Aqui, cada personagem é talhado levando ambas características em seu interior. São profundamente atormentados – pelo passado ou pela vida –, mas dotados de honra e capazes de atos de extrema bondade, porém podem facilmente tornarem-se cruéis. A história é tão repleta de contrastes – coisa boas acontecendo em meio a crueldade – que eu fico meio que sem rumo.
Daemon é o personagem mais complexo e arrebatador da história. Forçado a ser um escravo sexual desde muito jovem, ele tornou-se um homem amargo e violento. Tanto que é conhecido como o Sádico. Ele sujeita-se aos grilhões porque não tem escolha, mas ninguém conseguiu subjugá-lo verdadeiramente. Ele é sarcástico, cruel e um tanto debochado, porém é leal aos que ama. Existe certa contradição na personalidade de Daemon. Ao mesmo tempo que se agarra a seu código de honra e tenta manter-se íntegro, seus pensamentos vagam por caminhos que fogem dos valores morais que acredita. Principalmente relacionado a Jaenelle…

Confesso que me vi obrigada a manter a mente aberta e operar fora de minha zona de conforto para conseguir me entregar ao livro. A primeira vista – tanto pela capa, como pela idade da protagonista – o livro remete o leitor a uma fantasia juvenil. Porém, A Filha do Sangue é um livro adulto que pode incomodar leitores mais sensíveis, digamos assim. Na primeira parte da história eu também enfrentei certo conflito, meu lado moralista travou uma dura batalha com meu lado liberal. Calma… eu explico. Daemon é um homem adulto que se apaixona e sente desejo por uma menina de doze anos. Até eu entender o contexto, o fato de um homem desejar ardentemente uma criança me fez acreditar que autora havia deturpado a história.

Entretanto, apesar dos sentimentos serem explícitos, nada chega às vias de fato e a paixão existente é algo que transcende o físico. Daemon espera pela Feiticeira há séculos e seu desejo de servir é maior que tudo. Quando ele descobre que ela ainda é uma criança, também fica desconcertado. Aqui, abro um parêntese: é difícil entender esse desejo sem explicar o contexto de servidão dos machos do Sangue. Eles devem servir, não dominar. Há algo intrínseco que faz os machos do Sangue ansiar por servir, que os impele a se ligar a fêmeas ornadas por Joias dos Sangue.

Daemon tem consciência da pouca idade e imaturidade de Jaenelle, mas não consegue afastar o desejo e a convicção de que será seu amante. O que aplaca um pouco essa atmosfera de pedofilia é que esse sentimento é unilateral, pois Jaenelle não vê em Daemon nada mais que um amigo. Eu acabei aceitando os flertes e pensamentos um tanto lascivos de Daemon em relação à menina, mas sei que alguns leitores ficarão desconfortáveis com a relação. 
Bem… o livro é sensaciona! Mas preciso enfatizar que A Filha do Sangue não é uma história que agradará a gregos e troianos. É complexo, polêmico e ousado. Com certeza, em algum momento vai deixar o leitor desconfortável, em outros emocionado. É justamente por essa miríade de características que ele vale a pena ser lido.

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