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Digno de Nota

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

“A HERANÇA” (John Grisham)

(…) Ser advogado é isso. Estar no tribunal, diante do júri, é como estar numa arena, ou no campo. A competição é feroz. As apostas são altas. O jogo é intenso. Haverá um vitorioso e um perdedor. Tem uma onda de adrenalina cada vez que o júri é conduzido e todos se sentam.
p. 513
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Todos os dias, às 05:30, Jake Brigance estava de pé. Pouca gente encarava a manhã como Jake, porém, agora que ele chegara aos 35 anos, se perguntava, cada vez com mais frequência, porque acordava tão cedo? Desiludido com o direito e quebrado financeiramente, ele chegou à inquietante conclusão de que seu momento mais glorioso veio e passou. A absolvição de Carl Lee Hailey o tornou conhecido, porém, analisando sua situação com mais frieza, ele percebeu que os problemas decorrente do julgamento suplantavam as conquistas. Sua vida se transformou num caos após o julgamento de Hailey. E agora, passados três anos, Jake trata de pequenos casos em Clanton, no Mississippi.
Mas, em uma manhã, uma reviravolta acontece com a chegada de uma encomenda. Sua sede por um boa batalha nos tribunais é renovada ao receber pelo correio o caso de seu mais novo cliente. Seth Hubbard, morador pouco sociável de Clanton, se suicidou, mas na véspera escreveu uma carta para Jake nomeando-o advogado de seu espólio. Anexado à carta estava seu último testamento, escrito a mão e com ordens claras e inquietantes: seus bens deveriam ser divididos entre um irmão há muito desaparecido, a sua igreja, e Lettie Lang, sua empregada. Nada para seus filhos e netos. A guerra havia sido declarada… E a fúria aumenta quando é descoberto que os bens de Seth ultrapassam 20 milhões de dólares.

Mais uma vez, Jake está no centro de um fogo cruzado. Enquanto defende com unhas e dentes o ultimo desejo de seu cliente, ele tenta ajeitar sua vida ao lado de sua esposa e filha. Mas seu trabalho fica cada vez mais difícil no decorrer do processo quando segredos do passado começam a ser desenterrados e os advogados dos familiares excluidos do testamento decidem jogar sujo. Além disso, o fato de Lettie ser negra e possuir uma família problemática, em um Mississippi racista e preconceituoso, não favorece em nada o caso para Jake.
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A Herança é o segundo thriller jurídico de John Grisham protagonizado pelo advogado Jake Brigance. Li o primeiro livro, Tempo de Matar, há alguns anos e lembro-me de ter achado a história incrível. Então, minha expectativa para reencontrar Jake e descobrir que rumo sua vida havia tomado, era imensa. Felizmente, Grisham não me decepcionou. Alias, Tempo de Matar já foi adaptado para o cinema.

Apesar do protagonista ser o mesmo e de alguns personagens presentes no primeiro livro também atuarem aqui, as histórias são independentes. A Herança faz menções sobre o caso anterior de Jake Brigance e relata as consequências do mesmo, entretanto o autor consegue situar o leitor na trama. Acredito que seja possível lê-lo fora de ordem sem qualquer prejuízo.

A história transcorre três anos após Jake defender Carl Lee Hailey em um processo de homicídio, cujo julgamento tornou-se notório na cidade de Clanton, no Mississippi, devido a divergências raciais. Mais uma vez, Jake se depara com um caso onde o tribunal poderá se transformar em uma batalha racial, brancos contra negros.

O estado do Mississippi é conhecido por sua hedionda história de preconceito, discriminação e segregação racial, além de ser o berço da Ku Klux Klan. Então, imaginei que A Herança seguiria a mesma linha de Tempo de Matar, cujo enredo expõe de forma crua o racismo ainda existente na década de 1980 no sul dos EUA. Entretanto, a questão racial é abordada de maneira diferente aqui… o preconceito está lá, porém escondido sob o verniz da civilidade atual. Mas no desenrolar da história, o autor expõe as agreções inflingidas aos negros e a impunidade dos brancos em um passado não muito distante. Salvo uma passagem no final do livro, não há violência explícita em A Herança, mas as crenças relacionadas à inferioridade dos negros e o racismo arraigado é exposto ao longo do livro de maneira muito clara. 

Seth Hubbard é um homem abastado e solitário. Doente e desamparado pela própria família, ele acaba sob os cuidados de sua empregada negra, Lettie Lang. Quando a dor provocada pelo câncer se torna insuportável e seu destino parece selado, Seth decide acabar com próprio sofrimento. Mas antes de morrer ele faz algo impensável, Seth anula seu antigo testamento e faz de Lettie sua principal beneficiária. É óbvio que a família iria contestar o último desejo do falecido. Assim, A Herança aborda o pleito dos familiares para anular tal testamento, colocando em xeque a capacidade de testar de Seth, a validade de um testamento controverso escrito de ultima hora e a suspeita em torno do porquê um homem branco deixaria seus bens para uma negra.

Todo processo litigioso descrito no livro é sensacional, mas Grisham peca ao esmiuçar em demasia a vida e o passado dos envolvidos. Não é tão emocionante quanto o título anterior, mas A Herança envolve o leitor por caminhos diferentes. 

Para quem gosta do jogo, muitas vezes sujo, que permeia as disputas jurídicas, as investigações e a corrida contra o tempo para conseguir informações que garantam a demanda de cada parte… A Herança é leitura obrigatória!

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