"A CATEDRAL DO MAR" (Ildefonso Falcones)
Ganhei este maravilhoso livro de minha mãe, acertou em "cheio"!! Ela sabe que eu AMO romances históricos, principalmente os ambientados na Idade Média. Apesar da era medieval ser conhecida como a "Idade Das Trevas", sendo considerado um período de entrave e retrocesso intelectual e cultural, uma época em que a fé turvou a luz da razão; ainda assim sou fascinada.
A Catedral de Santa Maria Do mar é um templo gótico construído em uma Barcelona medieval no séc. XIV.
"A igreja do povo, construída pelo povo e para o povo", este foi o espírito impresso em sua construção e ao ler o livro percebe-se o quão verdadeira é a citação. A catedral do Mar levou 55 anos ininterruptos para ser erguida, cada pedra foi carregada, esculpida e sedimentada pelos fieis mais humildes, a fé e a devoção foram o alicerce destes homens.
É uma história emocionante, onde junto com os personagens, realmente vivenciei as dificuldades de sobreviver em uma época tão conturbada e a impossibilidade de lutar contra a miséria e a servidão. A segregação social era tratada com naturalidade e as diferenças vistas como uma dádiva concedida apenas aos merecedores....Nobres de sangue.
O protagonista, Arnau Estaniou, é cativante. Sua história de amor e sacrifício junto a construção da catedral é comovente. Se opõe ao orgulho e a soberba, sempre agindo com justiça e a favor dos humildes.
No outono de 1320, no principado da Catalunha, Bernat observa ansioso sua noiva Francesca e os convidados de sua festa de casamento. Tudo corre bem, até que o seu senhor, vindo de uma caçada, exige ser convidado para as bodas.
Não demora muito até que ele percebe os encantos de Francesca e exige o direito de firma de spoli forzada , ou seja, o direito de se deitar com a noiva em sua primeira noite. Francesca após ser espancada e estuprada, ainda é obrigada a deitar-se com seu marido sob os olhares de soldados, para evitar que uma gravidez seja atribuída ao senhor feudal.
Ela engravida e nasce Arnau, um menino saudável e que devido a um sinal de nascença é indiscutivelmente filho de Bernat Estaniou.
O senhor da terra se tornou motivo de chacota nas redondezas, seria ele incapaz de fazer um filho?
Decidido a dar um fim aos comentários, leva Francesca e Arnau para seu castelo e lá, mãe e filho são separados. Ela é usada como ama de leite e fica a "disposição" dos soldados e o bebê é deixado junto ao estábulo a mercê da própria sorte.
Bernat resgata seu filho, não tem para onde ir, mas se lembra dos boatos sobre a grande Barcelona. Se conseguir viver na cidade durante 1 ano e 1 dia se torna cidadão e homem livre, esperançoso sobre um futuro incerto, ruma para Barcelona com Arnau.
Na grande cidade, pede o auxílio de sua irmã e de seu cunhado, um artesão em ascensão e com grandes ambições. Começa a trabalhar na oficina de seu parente e percebe que sua vida pouco mudou, deixou de ser um servo da terra para ser servo da nobreza.
Arnau conhece Joan, um garoto sofrido, sem pai e com uma mãe condenada ao enclausuramento por adultério, vive pelas ruas de Barcelona. Bernat se compadece do melhor amigo de seu filho, são inseparáveis, decide adota-lo após a morte de sua mãe.
Anos se passam até que Bernat exige sua declaração de liberdade, mas se vê obrigado a continuar sobre o domínio do cunhado, agora casado com uma nobre orgulhosa.
Odiado por esta mulher, Bernat e Arnau são humilhados ao extremo e como não conseguem outro emprego suportam o que o destino lhes impôs, mas sempre desejando independência.
Barcelona está em crise e é assolada pela fome e pelo desespero dos pobres, Bernat que até então se mostrou um homem pacifico, é tomado pela fúria e incita uma revolta popular. O caos toma conta da cidade e o rei ordena que seus soldados reprimam a rebeldia e prenda seus lideres. Bernat é preso e enforcado sumariamente em praça pública.
Arnau tem apenas 12 anos, mas ao ver que mais uma vez seu pai foi humilhado e injustiçado, jura vingança.
Após a morte de Bernat, a vida de Arnau e Joan tomam rumos diferentes. Joan é apoiado pelo padre da Ireja do Mar e vai estudar em uma escola católica, segue a carreira eclesiástica e surpreende ao se tornar um inquisidor implacável.
Arnau não teve a mesma sorte e depende de seu esforço para se sustentar. Apesar de ser um menino mirrado, se torna um baitax (estivador) e carrega em suas costas as pedras para a construção da catedral do povo, a sua catedral.
Conquista o respeito e a admiração dos que o rodeia.
Os judeus são perseguidos e odiados implacavelmente e durante um ataque à "Judiaria", Arnau salva a vida de uma família. Se torna amigo dos judeus e como agradecimento recebe apoio e financiamento para se tornar cambista.
Assim, ascendeu da servidão, foi um baitax, soldado, cambista e até cônsul do mar. Conquista o apoio da realeza e de homens ricos e por fim... recebe o titulo de conde. Mesmo rico, Arnau continua sendo um homem bom e humilde, querido por todos..."quase todos".
Sua vida é uma odisseia, enfrentou a fome, peste, guerra, intrigas e entre encontros e desencontros se envolve com mulheres cruéis e orgulhosas.
O ciúme e o ódio de uma mulher rejeitada, o leva a enfrentar a inquisição, segredos são revelados e o passado remexido, e assim...descobre quem são seus verdadeiros amigos e inimigos.
Mas também conhece o amor sincero e incondicional, o companheirismo e a amizade.
E finalmente, ajudado por fieis amigos consegue a tão sonhada vingança que jurou junto ao corpo de seu pai.
Revela o apogeu de uma Barcelona próspera, mas profundamente doente.
Mas não há só dor em "A Catedral Do Mar", aprendemos que o amor pode se corromper, mas também supera qualquer obstáculo e a amizade sincera daqueles que nos presenteiam com ela, mesmo a mais improvável, deve ser cultivada e defendida com afinco.
Não conhecia o livro e injustamente nunca o vi em um lugar de destaque em uma livraria.
Com certeza é um livro que vale a pena ser lido e relido, vai ocupar um lugarzinho especial na minha estante.
Falcones, Ildefonso. A Catedral do mar. Rocco, 2009. 592 p.
"A igreja do povo, construída pelo povo e para o povo", este foi o espírito impresso em sua construção e ao ler o livro percebe-se o quão verdadeira é a citação. A catedral do Mar levou 55 anos ininterruptos para ser erguida, cada pedra foi carregada, esculpida e sedimentada pelos fieis mais humildes, a fé e a devoção foram o alicerce destes homens.
É uma história emocionante, onde junto com os personagens, realmente vivenciei as dificuldades de sobreviver em uma época tão conturbada e a impossibilidade de lutar contra a miséria e a servidão. A segregação social era tratada com naturalidade e as diferenças vistas como uma dádiva concedida apenas aos merecedores....Nobres de sangue.
O protagonista, Arnau Estaniou, é cativante. Sua história de amor e sacrifício junto a construção da catedral é comovente. Se opõe ao orgulho e a soberba, sempre agindo com justiça e a favor dos humildes.
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Bernat Estaniou é um servo da terra e como tal, deve obediência e respeito ao seu senhor feudal.No outono de 1320, no principado da Catalunha, Bernat observa ansioso sua noiva Francesca e os convidados de sua festa de casamento. Tudo corre bem, até que o seu senhor, vindo de uma caçada, exige ser convidado para as bodas.
Não demora muito até que ele percebe os encantos de Francesca e exige o direito de firma de spoli forzada , ou seja, o direito de se deitar com a noiva em sua primeira noite. Francesca após ser espancada e estuprada, ainda é obrigada a deitar-se com seu marido sob os olhares de soldados, para evitar que uma gravidez seja atribuída ao senhor feudal.
Ela engravida e nasce Arnau, um menino saudável e que devido a um sinal de nascença é indiscutivelmente filho de Bernat Estaniou.
O senhor da terra se tornou motivo de chacota nas redondezas, seria ele incapaz de fazer um filho?
Decidido a dar um fim aos comentários, leva Francesca e Arnau para seu castelo e lá, mãe e filho são separados. Ela é usada como ama de leite e fica a "disposição" dos soldados e o bebê é deixado junto ao estábulo a mercê da própria sorte.
Bernat resgata seu filho, não tem para onde ir, mas se lembra dos boatos sobre a grande Barcelona. Se conseguir viver na cidade durante 1 ano e 1 dia se torna cidadão e homem livre, esperançoso sobre um futuro incerto, ruma para Barcelona com Arnau.
Na grande cidade, pede o auxílio de sua irmã e de seu cunhado, um artesão em ascensão e com grandes ambições. Começa a trabalhar na oficina de seu parente e percebe que sua vida pouco mudou, deixou de ser um servo da terra para ser servo da nobreza.
Arnau conhece Joan, um garoto sofrido, sem pai e com uma mãe condenada ao enclausuramento por adultério, vive pelas ruas de Barcelona. Bernat se compadece do melhor amigo de seu filho, são inseparáveis, decide adota-lo após a morte de sua mãe.
Anos se passam até que Bernat exige sua declaração de liberdade, mas se vê obrigado a continuar sobre o domínio do cunhado, agora casado com uma nobre orgulhosa.
Odiado por esta mulher, Bernat e Arnau são humilhados ao extremo e como não conseguem outro emprego suportam o que o destino lhes impôs, mas sempre desejando independência.
Barcelona está em crise e é assolada pela fome e pelo desespero dos pobres, Bernat que até então se mostrou um homem pacifico, é tomado pela fúria e incita uma revolta popular. O caos toma conta da cidade e o rei ordena que seus soldados reprimam a rebeldia e prenda seus lideres. Bernat é preso e enforcado sumariamente em praça pública.
Arnau tem apenas 12 anos, mas ao ver que mais uma vez seu pai foi humilhado e injustiçado, jura vingança.
Após a morte de Bernat, a vida de Arnau e Joan tomam rumos diferentes. Joan é apoiado pelo padre da Ireja do Mar e vai estudar em uma escola católica, segue a carreira eclesiástica e surpreende ao se tornar um inquisidor implacável.
Arnau não teve a mesma sorte e depende de seu esforço para se sustentar. Apesar de ser um menino mirrado, se torna um baitax (estivador) e carrega em suas costas as pedras para a construção da catedral do povo, a sua catedral.
Conquista o respeito e a admiração dos que o rodeia.
Os judeus são perseguidos e odiados implacavelmente e durante um ataque à "Judiaria", Arnau salva a vida de uma família. Se torna amigo dos judeus e como agradecimento recebe apoio e financiamento para se tornar cambista.
Assim, ascendeu da servidão, foi um baitax, soldado, cambista e até cônsul do mar. Conquista o apoio da realeza e de homens ricos e por fim... recebe o titulo de conde. Mesmo rico, Arnau continua sendo um homem bom e humilde, querido por todos..."quase todos".
Sua vida é uma odisseia, enfrentou a fome, peste, guerra, intrigas e entre encontros e desencontros se envolve com mulheres cruéis e orgulhosas.
O ciúme e o ódio de uma mulher rejeitada, o leva a enfrentar a inquisição, segredos são revelados e o passado remexido, e assim...descobre quem são seus verdadeiros amigos e inimigos.
Mas também conhece o amor sincero e incondicional, o companheirismo e a amizade.
E finalmente, ajudado por fieis amigos consegue a tão sonhada vingança que jurou junto ao corpo de seu pai.
~~~*~~~
Com uma narrativa detalhada e rica em relatos históricos, Ildefonso Falcones, me proporcionou uma leitura arrebatadora e voraz. Sentidos são aflorados, feridas quase cicatrizadas são reabertas, desencontros, ambição e vingança, foram alguns dos sentimentos experimentados.Revela o apogeu de uma Barcelona próspera, mas profundamente doente.
Mas não há só dor em "A Catedral Do Mar", aprendemos que o amor pode se corromper, mas também supera qualquer obstáculo e a amizade sincera daqueles que nos presenteiam com ela, mesmo a mais improvável, deve ser cultivada e defendida com afinco.
Não conhecia o livro e injustamente nunca o vi em um lugar de destaque em uma livraria.
Com certeza é um livro que vale a pena ser lido e relido, vai ocupar um lugarzinho especial na minha estante.
Falcones, Ildefonso. A Catedral do mar. Rocco, 2009. 592 p.





























