"A FACA SUTIL" (Philip Pullman)

"A Faca Sutil" é o segundo livro da trilogia Fronteiras Do Universo de Philip Pullman. Fiquei um pouco apreensiva se deveria ou não escrever esta resenha. Se vocês não se lembram, houve um certo burburinho quando revelei minhas opiniões com relação ao primeiro livro, que pode ser lida AQUI.
Continuo achando a série polêmica, mas "A Faca Sutil" é ainda mais, é ousado e me atrevo a dizer...um tanto agressivo.
Me surpreendi com o rumo que o livro tomou, apesar de ser classificado como infanto-juvenil, ainda acho o tema complexo. Não quero subestimar a perspicácia dos jovens, mas até eu fiquei um pouco incomodada com algumas ideias impostas no livro. 
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Will Parry é um garoto de 12 doze anos, mas já é o homem da casa. Sua mãe possui problemas psiquiátricos, cresceu com suas manias de perseguição e paranóias. Um dia, percebeu que talvez os medos de sua mãe não fossem tão infundados. Homens que ele não conhecia, começaram a visitar sua casa e a fazer muitas perguntas...as crises de sua mãe pioram.
Ele sabe o que eles querem… Seu pai estava desaparecido, desde antes de seu nascimento, mas antes ele enviou algumas cartas para sua mãe. É isso o que eles procuram!
Deixa sua mãe aos cuidados de uma antiga amiga e volta para casa, resolve pegar as cartas e sair à procura de seu pai.
Os misteriosos homens retornam e um deles acaba morto. Com medo de ser preso por assassinato, ele foge rumo a grande cidade de Oxford e acidentalmente encontra uma fenda em pleno ar. Ele percebe que aquilo é uma passagem para um outro mundo e sem hesitar, a atravessa.
Encontra uma cidade chamada Citàgazze, ela é habitada apenas por crianças, pois os adultos são atacados pelos Espectros, que se alimentam de seus espíritos. Will encontra Lyra, eles sabem quem são de mundos diferentes. Lyra tem seu dimon, Pantalaimon, ela percebe que o dimon de Will é interno, os humanos o chamam de espírito.

Mas essas diferenças não atrapalham a amizade e a aliança que os dois formaram. Juntos vivem uma odisseia em busca do segredo do pó de Lyra e para encontrar o paradeiro do pai de Will. O destino coloca a Faca Sutil no caminho dos dois e Will foi eleito seu portador.

A Faca possui grande poder, é capaz de cortar qualquer material existente, além de abrir portais para outros mundos. Mas o que eles ainda não sabem, é que há uma guerra iminente, e só o portador da Faca Sutil terá condições de vencê-la.
Uma dádiva ou uma maldição?

A guerra está sendo preparada pelo misterioso Lord Asriel, ele está unindo forças para lutar contra a grande "Autoridade". Já ocorreu uma guerra parecida antes, mas os anjos rebeldes a perderam porque não tinham uma arma como a Faca Sutil. Will e Lyra viajam entre mundos, reencontram velhos amigos e conquistam novos aliados e protetores. Muitos morrem para defendê-los e permitir que cumpram seus destinos. 
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A narrativa é ágil e envolvente, fazendo com que o leitor relute em deixar o livro de lado. Já a história é inteligentíssima, muito bem amarrada e sem lacunas.
A minha única ressalva é com relação ao objetivo do tema. E para um leitor sagaz, não é difícil chegar à conclusão de que a grande "Autoridade", é Deus. Todos sabemos que o autor é ateu e ele já declarou publicamente que sua intenção é minar os alicerces do cristianismo.
Será que consegue? Comigo não!
Mas não posso negar e seria uma heresia não dizer que o livro é ótimo. Neste livro Will não é uma criança inocente, é um menino vivido, que cuida da mãe doente. Ele é extremamente cuidadoso e preocupado com o bem estar da mãe, tem plena consciência do certo e do errado e sabe lidar com as dificuldades que lhe são apresentadas.

Já Lyra, me pareceu mais inocente e infantil, continua com suas mentirinhas, sempre tentando ser esperta, mas deixando se enganar facilmente. O vilão do primeiro livro não participa diretamente da trama em "A Faca Sutil", mas o seu objetivo é claramente exposto e em nenhum momento o autor nos deixa esquecer de sua presença.

O livro é cheio de aventuras e mistérios, com um clima mais tenso. Há mais mortes e sofrimento, o que leva a um amadurecimento dos personagens e sentimos que estamos crescendo e aprendendo com os percalços de Lyra e Will.

Estou mais curiosa do que nunca para saber o rumo que a história tomará, e se o autor continuará atacando os tabus religiosos e causando polêmica. Indico o livro...mas deve-se manter a mente aberta.
Se você é livre de preconceitos e acredita que independente do tema, um livro é sempre uma ótima forma de diversão e cultura. Leia A Faca Sútil! Eu garanto que você não se arrependerá.

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