ENTREVISTA COM O VAMPIRO é o primeiro livro da série "crônicas vampirescas" de Anne Rice, foi escrito em 1976, porém está mais atual do que nunca.
Já assisti ao filme que é um de meus preferidos, mas sempre tive a curiosidade de ler o livro. Tal curiosidade se dá mais ao fato de querer comprovar se o filme foi fiel ao livro e se este é bom mesmo.
Como o titulo sugere, a narrativa do livro é em forma de entrevista, lembra uma conversa, o que permite uma leitura ágil e muito prazerosa.
Os vampiros são fascinantes, bem construídos e com suas características sobrenaturais preservadas, excetuando o alho, o crucifixo, incapacidade de entrar em lugares sagrados e o reflexo no espelho, ou seja, aquelas lendas que mostram uma debilidade demasiada ou que os colocam como seres amaldiçoados por Deus.
São relatados como indivíduos quase humanos, são fadados à tragédias, conflitos internos e apreensões, como todos nós, os sentimentos dos personagens são expressos a "flor da pele".
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O filme é fiel ao livro e acredito que a história seja conhecida de todos, por isso não vou me ater em relatos repetitivos e também não vou contar as diferenças e estragar a leitura daqueles que se interessam em lê-lo. Vou contar um pouquinho dos personagens.
Este livro nos leva a Nova Orleans do sec. XVIII, cidade de Rice e palco de algumas de suas obras.
O personagem mais apaixonante é Louis, valoriza a vida humana e por isso sente uma dor terrível ao se ver fadado a destruir um ser pensante, extirpar todo vigor e um futuro por vir, simplesmente para garantir uma existência eterna.
Tenta sobreviver com o sangue de animais, mas com o passar do tempo o sofrimento o torna amargo, se entrega ao desejo e passa a se alimentar de humanos. Mas toda vez que o faz é assolado pelo remorso e desprezo por sua própria existência, não se acha merecedor de compaixão e muitas vezes deseja a morte.
Lestat é ambicioso, valoriza o luxo e a boa vida e escolhe seus companheiros de forma a garantir tais privilégios. É mau e desprovido de valores morais, cruel, zomba de suas vitimas e frequentemente as tortura antes de mata-las.
Transforma Louis, mas como depende financeiramente dele, o mantém no escuro. Nega os segredos de sua espécie na vã esperança de mantê-los unidos e os ensinamentos que transmite são falhos e imprecisos.
Porém a verdade é que ele não possui tais conhecimentos, é tão ignorante quanto os vampiros que transformou e por isso tem medo de se mostrar fraco. Acaba assim, despertando a dúvida e a revolta de seus companheiros.
Louis em um momento de fraqueza e imaginando que talvez a morte traria a paz e o conforto a uma criança orfã e moribunda, se alimenta de uma menina de aproximadamente 4 anos, seu nome é Cláudia. Porém é surpreendido por Lestat e a menina é deixada ainda com vida,vendo a dor e o desespero de Louis por seu ato viu e impensado, Lestat, decide fazer da criança mais um membro da família.
Cláudia é um dos personagens mais fortes, uma mulher aprisionada ao corpo de uma criança, não possui incertezas com relação a ser uma predadora, não sente remorso e caça avidamente. Intelectualmente forte, decidida e com uma feroz curiosidade sobre sua espécie, se torna uma estudiosa voraz sobre as histórias e mitos sobre os vampiros.
Não se deixa intimidar e decide a qualquer custo ir em busca do conhecimento e de outros de sua raça. Porém, há um entrave, com seu corpo de criança jamais conseguiria viajar e se manter sozinha, precisa de alguém para acompanha-la. Com uma mente mórbida e fértil, trama uma forma de se livrar de Lestat e fugir para a Europa com Louis, mas as coisas não se mostram tão simples.
Suas decisões e atos realizados sob os olhos de uma vampira desprovida do conhecimento sobre regras e leis entre os seus, irão conduzi-la a um trágico fim.
Armand é um vampiro peculiar, com 400 anos é o mais velho de sua espécie, culto e muito atraente desperta um amor profundo em Louis. Em um primeiro momento esta paixão é motivada pela ânsia de conhecimento, mas depois se torna uma espécie de obsessão entre os dois, desejam ser companheiros eternos.
Armand percebe que Cláudia, com sua dependência e necessidade de companhia, é uma barreira para que se una a Louis. Porém, nota o amor que seu futuro companheiro tem pela pequena vampira e se vê em um impasse: Se destruir Cláudia, perde Louis e ao mesmo tempo se ela permanecer entre os dois não terá seu amado só para si.
Ama, mas é egoísta e permite que outros vampiros resolvam o seu problema. Estes motivados pelo ciúme e ódio, usam de argumentos questionáveis para fazer justiça com a pequena Cláudia.
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Há um certo homoerotismo nos personagens, mas acredito que não seja bem isso. O amor e o desejo não parece ser apenas sexual e sim uma atração transcendental, o que importa é o ser. Não interessa o sexo, a idade ou a forma e sim como um complementará a existência do outro, que será eterna.
Um clássico maravilhoso e não pense que não terá algumas surpresas ao ler o livro. As diferenças são sutis, mas fazem diferença e o final não é como no filme ( meio sem pé, nem cabeça), aguça os sentidos e a curiosidade pela continuação.
Se você gosta de um bom romance sobrenatural, narrado com esmero e com personagens bem desenvolvidos, não deixe de ler "Entrevista Com O Vampiro".
Só tenho uma reclamação, a impressão do meu livro está ruim, até parece que foi impresso em uma impressora caseira e com tinta xing-ling. Dá para ler mas há letras apagadas e outras borradas e o livro é novíssimo.