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Digno de Nota

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

"O LIVRO DOS PRAZERES PROIBIDOS" (Federico Andahazi)

(...) o homem se prenderá tanto na leitura que passará as noites lendo, em claro, e os dias dormindo; e, assim, de pouco dormir e muito ler, seu cérebro secará, até o ponto de perder o juízo.
p. 269
~~~*~~~
Em 1455, a cidade de Mainz, na Alemanha, está em polvorosa. Não bastassem as revoltas populares tão comuns à época, Gutenberg está sendo acusado de comercializar livros clandestinos, de roubar e de praticar bruxaria e satanismo juntamente com seus parceiros comerciais, Johann Fust e Petrus Schöffer. Sigfrido de Moguncia, o promotor do caso, é considerado o maior copista de seu tempo e tem um interesse especial, já que a Bíblia que os réus copiaram foi originalmente escrita por ele próprio.

Ao mesmo tempo, o terror se espalha pela cidade, em especial no Mosteiro da Sagrada Canastra, um bordel de luxo às margens do rio Reno cujas prostitutas são adeptas das práticas dos “prazeres proibidos”. O motivo: um assassino anda à solta. Suas vítimas: invariavelmente, as prostitutas do bordel, que são mortas com brutalidade e têm as peles meticulosamente arrancadas. O burburinho comum do local dá lugar ao silêncio. Tão acostumados a visitar as “adoradoras da Sagrada Canastra” – e a praticar seus rituais bem peculiares –, os homens da cidade estão trancafiados em suas casas, assim como as prostitutas.
Que relação pode haver entre os crimes e o inventor da prensa? Um documento misterioso guardado por Ulva, a mais antiga das adoradoras, parece conter a resposta. 
~~~*~~~
Escritor e psicanalista argentino, Federico Andahazi, é conhecido como uma das novas expressões da literatura latino-americana. Filho de poeta, herdou uma bagagem cultural valiosíssima. Após o polêmico romance “O Anatomista”, que eu li e adorei, Andahazi teve sua carreira alavancada.
Também li A Cidade dos Hereges, onde ele coloca em cheque os dogmas religiosos.
Geralmente, os enredos de Andahazi abordam temas polêmicos, sua escrita é simples e ao mesmo tempo rude. Ele não poupa o leitor, narra os fatos de forma crua e direta. Simplesmente nos golpeia com descrições que chocam, e parece não se importar se está sendo vulgar ou desagradável. A maneira como se expressa é o que mais me agrada.
 
O autor mantém seu estilo em O Livro dos Prazeres Proibidos, porém achei o desenrolar da história lento.
Ambientado no seculo XV, Andahazi romanceia a trajetória de Johannes Gutenberg, inventor da prensa gráfica. O livro possui duas tramas que transcorrem em paralelo. De um lado, temos o julgamento de Gutenberg, onde sua vida é destrinchada e suas intenções ao criar a prensa questionada. Seria ele um homem à frente de seu tempo e inventor ou um falsificador? No outro eixo, temos os assassinatos de prostitutas seguidoras de uma seita cujos segredos estão contidos no Livro dos Prazeres Proibidos. Qual a ligação entre esses enredos? Durante a leitura, fiquei com a sensação de estar lendo dois livros distintos, pois o elo que as une torna-se claro apenas no desfecho.

O tema é fascinante. No entanto, o autor traçou o enredo de uma maneira que não foi muito atrativa para mim.
Apesar de gostar de narrativas detalhistas, achei que o autor pesou a mão nas descrições. É através de lembranças e divagações durante o julgamento de Gutenberg que Anadahazi conta sua história e, da mesma forma, a história da "puta mãe" Ulva. Não se assustem, a prostituta é chamada dessa forma no livro. Porém, ele se estendeu demais em algumas descrições. Andahazi chega a dar uma aula completa sobre a arte da felação ou do processo de cunhagem de moedas, por exemplo. Algumas memórias e pensamentos dos personagens levam várias páginas para serem concluídos. E foram essas passagens que me entediaram.

Eu gostei muito da história como um todo, mas senti um certo alívio ao terminá-la. Confesso que não é um livro que agradará a todos.
Mas não abandonarei o autor, continuo amando sua narrativa atrevida e sem vergonha.
 

Andahazi, Federico. O Livro dos Prazeres Proibidos. Bertrand Brasil, 2013. 294 p.

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